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Urologia 7 min out. de 2026

Tratamento da HPB: É Possível Preservar a Ejaculação?

Entenda como medicamentos e procedimentos modernos para a próstata aumentada buscam minimizar os impactos na vida sexual.

Dr. Dimas
Dr. Dimas AntunesTiSBU · Revisor ISSM
Análise clínica
7 min de leitura

01É possível tratar a HPB e manter a ejaculação?

A preocupação com a vida sexual é uma das questões mais importantes para homens que buscam tratamento para a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), popularmente conhecida como próstata aumentada. A boa notícia é que a urologia moderna avançou significativamente, e a preservação da função ejaculatória tornou-se uma prioridade no desenvolvimento de novas terapias.

A viabilidade de manter a ejaculação normal depende de diversos fatores. O tamanho e o formato da próstata, a intensidade dos sintomas urinários, a presença de um crescimento prostático para dentro da bexiga (o chamado lobo mediano) e as características anatômicas de cada paciente são cruciais. A decisão sobre a melhor estratégia é sempre individualizada, discutida em detalhes durante a avaliação urológica para alinhar as expectativas e prioridades do paciente com as opções terapêuticas disponíveis.

02Como os medicamentos para HPB podem afetar a ejaculação?

Os medicamentos são frequentemente a primeira linha de tratamento para os sintomas urinários do trato inferior (LUTS) causados pela HPB. Eles são eficazes, mas é importante entender como cada classe de fármaco pode influenciar a função sexual.

Detalhe macro de um instrumental cirúrgico urológico de aço escovado sobre gaze branca limpa em bandeja metálica, com foco raso.
Detalhe macro de um instrumental cirúrgico urológico de aço escovado sobre gaze branca limpa em bandeja metálica, com foco raso.
  • Alfabloqueadores: Esta classe de medicamentos, que inclui a tansulosina, a silodosina e a alfuzosina, age relaxando a musculatura da próstata e do colo da bexiga, facilitando a passagem da urina. No entanto, alguns deles, especialmente a silodosina e a tansulosina, estão associados a uma alta frequência de alterações ejaculatórias. Isso pode se manifestar como uma redução significativa do volume ejaculado ou a chamada ejaculação retrógrada. A alfuzosina, por outro lado, tende a ter um impacto menor nesta função.
  • Inibidores da 5-alfa-redutase (i5AR): Fármacos como a finasterida e a dutasterida atuam de forma diferente: eles bloqueiam a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), o que leva a uma redução gradual do tamanho da próstata. Em próstatas mais volumosas, são eficazes para melhorar os sintomas e diminuir o risco de complicações, como a retenção urinária. Contudo, em uma parcela de pacientes, podem causar efeitos colaterais como diminuição da libido, disfunção erétil e redução do volume do sêmen.
  • Inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5): A tadalafila de uso diário (5 mg) é aprovada para o tratamento de homens que apresentam tanto sintomas urinários da HPB quanto disfunção erétil. Ela melhora ambos os quadros e geralmente não interfere na ejaculação. Contudo, seu efeito no alívio da obstrução prostática pode ser mais modesto, não sendo a opção principal para casos de obstrução severa.

O que é ejaculação retrógrada? É a condição em que o sêmen, durante o orgasmo, é direcionado para a bexiga em vez de ser expelido pela uretra. Isso ocorre porque o colo vesical (a "porta" entre a bexiga e a uretra) não se fecha adequadamente. Embora não seja prejudicial à saúde, a ausência de ejaculação externa é uma mudança significativa para muitos homens.

03Quais procedimentos cirúrgicos priorizam a preservação da ejaculação?

Para homens que não respondem bem aos medicamentos, não desejam usá-los a longo prazo ou buscam uma solução que minimize o impacto na vida sexual, surgiram as chamadas Terapias Cirúrgicas Minimamente Invasivas (MISTs). Elas são projetadas para preservar a função ejaculatória em pacientes selecionados.

UroLift

O sistema UroLift não remove nem aquece o tecido prostático. Em vez disso, ele utiliza pequenos implantes permanentes para afastar os lobos da próstata que comprimem a uretra, criando um canal aberto para a urina. É uma opção indicada principalmente para homens com próstatas de volume entre 30 e 80 cm³, e que não possuam um lobo mediano obstrutivo significativo. A principal vantagem é a altíssima taxa de preservação da função erétil e ejaculatória.

Rezum (Terapia com vapor de água)

A terapia Rezum utiliza a energia térmica do vapor de água para tratar o tecido prostático excedente. Durante um procedimento rápido, o vapor é injetado em pontos estratégicos da próstata. Com o tempo, as células tratadas são absorvidas pelo corpo, resultando na redução do volume da próstata e no alívio da obstrução. Estudos demonstram que a maioria dos homens submetidos ao Rezum mantém a função ejaculatória. A melhora dos sintomas é gradual, ocorrendo ao longo de algumas semanas a meses.

Aquablation

A terapia Aquablation combina a robótica com a imagem de ultrassom em tempo real para remover o tecido prostático de forma precisa e controlada. O cirurgião mapeia a área a ser tratada e um jato de água em alta velocidade, sem uso de calor, remove o tecido obstrutivo. Estudos como o WATER II mostraram taxas de preservação da ejaculação anterógrada superiores às de técnicas convencionais, mesmo em próstatas maiores. A técnica permite poupar as estruturas anatômicas responsáveis pela ejaculação.

04E os tratamentos convencionais com maior impacto na ejaculação?

Tratamentos estabelecidos há mais tempo continuam sendo opções extremamente eficazes para o alívio dos sintomas urinários, mas geralmente apresentam um impacto maior e mais previsível na função ejaculatória.

A Ressecção Transuretral da Próstata (RTU-P), conhecida como "raspagem da próstata", é considerada por muito tempo o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da HPB. Nela, o urologista remove o tecido prostático obstrutivo com um instrumento elétrico inserido pela uretra. A RTU-P proporciona um alívio sintomático excelente e duradouro. No entanto, a ejaculação retrógrada é um efeito colateral muito comum e esperado, ocorrendo na maioria dos pacientes. A função erétil geralmente é preservada, mas a mudança na ejaculação costuma ser permanente.

Outra técnica altamente eficaz, especialmente para próstatas grandes, é a Enucleação da Próstata com Laser de Holmium (HoLEP). O procedimento remove o "miolo" da próstata de forma completa, com baixo risco de o problema retornar. Assim como na RTU-P, a taxa de alívio dos sintomas é muito alta, mas a ocorrência de ejaculação retrógrada também é frequente, pois as estruturas anatômicas próximas ao colo vesical são alteradas.

A conversa franca com o urologista sobre as prioridades do paciente é fundamental antes de indicar um procedimento ablativo como a RTU-P ou o HoLEP.

05Comparativo: como escolher a opção para o seu caso?

A decisão sobre o tratamento da HPB não é única e deve ser personalizada. A tabela abaixo resume as principais opções e seu impacto esperado na ejaculação, mas a escolha final depende de uma análise completa do seu quadro.

| Opção de Tratamento | Potencial de Preservação da Ejaculação | Perfil Geral e Indicações | | :--- | :--- | :--- | | Medicamentos (Alfabloqueadores) | Variável (menor com tansulosina/silodosina) | Primeira linha para alívio rápido dos sintomas. | | Medicamentos (Inibidores da 5-alfa-redutase) | Geralmente preservada, mas pode reduzir volume | Indicado para próstatas maiores, com efeito a longo prazo. | | UroLift | Muito Alto | Ideal para próstatas menores a moderadas, sem lobo mediano obstrutivo. | | Rezum | Alto | Próstatas menores a moderadas; melhora dos sintomas é gradual. | | Aquablation | Alto (maior que RTU/HoLEP) | Boa opção para próstatas de diversos tamanhos, com remoção precisa de tecido. | | RTU de Próstata (RTU-P) | Baixo (ejaculação retrógrada é comum) | Padrão de alta eficácia para alívio sintomático em próstatas de até 80-100g. | | HoLEP (Enucleação a Laser) | Baixo (ejaculação retrógrada é comum) | Altamente eficaz para próstatas de qualquer tamanho, especialmente as muito grandes. |

Fatores como o tamanho e formato exato da próstata, a gravidade dos seus sintomas urinários, sua idade, seu estado de saúde geral e, crucialmente, o seu desejo em preservar a função ejaculatória são levados em conta para definir o melhor caminho.

06Alinhando expectativas: o que esperar da avaliação em Recife?

O primeiro passo para um tratamento bem-sucedido é uma avaliação urológica completa. Em nossa prática em Recife, a consulta inicial é focada em ouvir sua história, entender suas queixas e, principalmente, suas prioridades.

A investigação pode incluir questionários para quantificar a intensidade dos sintomas (como o IPSS), o exame físico (incluindo o toque retal, que nos dá informações valiosas sobre o tamanho e a consistência da próstata) e exames complementares. Conforme o caso, podemos solicitar exames de sangue (como o PSA), ultrassonografia da próstata e das vias urinárias, e um estudo do fluxo urinário (urofluxometria).

Com base nesses dados, podemos mapear seu quadro de forma precisa. A partir daí, apresentamos as opções de tratamento mais adequadas para você, explicando os benefícios, os riscos e o que esperar de cada uma em termos de melhora urinária e impacto na função sexual. O objetivo é tomar uma decisão conjunta, garantindo que o plano de tratamento esteja alinhado com seu bem-estar e qualidade de vida.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica presencial. Para diagnóstico e tratamento, agende uma avaliação com um urologista.

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Fim da análise
Perguntas frequentes

Não. O risco de alteração ejaculatória varia muito entre os tratamentos. Enquanto alguns procedimentos têm alto risco, opções mais modernas foram desenvolvidas especificamente para minimizar esse impacto. A avaliação individualizada define a melhor abordagem.

Dr. Dimas Antunes
Escrito por

Dr. Dimas Antunes

Urologista titular SBU. Para avaliar seu caso individualmente, agende uma consulta presencial na Clínica CURAR.