01É possível tratar a HPB e manter a ejaculação?
A preocupação com a vida sexual é uma das questões mais importantes para homens que buscam tratamento para a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), popularmente conhecida como próstata aumentada. A boa notícia é que a urologia moderna avançou significativamente, e a preservação da função ejaculatória tornou-se uma prioridade no desenvolvimento de novas terapias.
A viabilidade de manter a ejaculação normal depende de diversos fatores. O tamanho e o formato da próstata, a intensidade dos sintomas urinários, a presença de um crescimento prostático para dentro da bexiga (o chamado lobo mediano) e as características anatômicas de cada paciente são cruciais. A decisão sobre a melhor estratégia é sempre individualizada, discutida em detalhes durante a avaliação urológica para alinhar as expectativas e prioridades do paciente com as opções terapêuticas disponíveis.
02Como os medicamentos para HPB podem afetar a ejaculação?
Os medicamentos são frequentemente a primeira linha de tratamento para os sintomas urinários do trato inferior (LUTS) causados pela HPB. Eles são eficazes, mas é importante entender como cada classe de fármaco pode influenciar a função sexual.

- Alfabloqueadores: Esta classe de medicamentos, que inclui a tansulosina, a silodosina e a alfuzosina, age relaxando a musculatura da próstata e do colo da bexiga, facilitando a passagem da urina. No entanto, alguns deles, especialmente a silodosina e a tansulosina, estão associados a uma alta frequência de alterações ejaculatórias. Isso pode se manifestar como uma redução significativa do volume ejaculado ou a chamada ejaculação retrógrada. A alfuzosina, por outro lado, tende a ter um impacto menor nesta função.
- Inibidores da 5-alfa-redutase (i5AR): Fármacos como a finasterida e a dutasterida atuam de forma diferente: eles bloqueiam a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), o que leva a uma redução gradual do tamanho da próstata. Em próstatas mais volumosas, são eficazes para melhorar os sintomas e diminuir o risco de complicações, como a retenção urinária. Contudo, em uma parcela de pacientes, podem causar efeitos colaterais como diminuição da libido, disfunção erétil e redução do volume do sêmen.
- Inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5): A tadalafila de uso diário (5 mg) é aprovada para o tratamento de homens que apresentam tanto sintomas urinários da HPB quanto disfunção erétil. Ela melhora ambos os quadros e geralmente não interfere na ejaculação. Contudo, seu efeito no alívio da obstrução prostática pode ser mais modesto, não sendo a opção principal para casos de obstrução severa.
O que é ejaculação retrógrada? É a condição em que o sêmen, durante o orgasmo, é direcionado para a bexiga em vez de ser expelido pela uretra. Isso ocorre porque o colo vesical (a "porta" entre a bexiga e a uretra) não se fecha adequadamente. Embora não seja prejudicial à saúde, a ausência de ejaculação externa é uma mudança significativa para muitos homens.
03Quais procedimentos cirúrgicos priorizam a preservação da ejaculação?
Para homens que não respondem bem aos medicamentos, não desejam usá-los a longo prazo ou buscam uma solução que minimize o impacto na vida sexual, surgiram as chamadas Terapias Cirúrgicas Minimamente Invasivas (MISTs). Elas são projetadas para preservar a função ejaculatória em pacientes selecionados.
UroLift
O sistema UroLift não remove nem aquece o tecido prostático. Em vez disso, ele utiliza pequenos implantes permanentes para afastar os lobos da próstata que comprimem a uretra, criando um canal aberto para a urina. É uma opção indicada principalmente para homens com próstatas de volume entre 30 e 80 cm³, e que não possuam um lobo mediano obstrutivo significativo. A principal vantagem é a altíssima taxa de preservação da função erétil e ejaculatória.
Rezum (Terapia com vapor de água)
A terapia Rezum utiliza a energia térmica do vapor de água para tratar o tecido prostático excedente. Durante um procedimento rápido, o vapor é injetado em pontos estratégicos da próstata. Com o tempo, as células tratadas são absorvidas pelo corpo, resultando na redução do volume da próstata e no alívio da obstrução. Estudos demonstram que a maioria dos homens submetidos ao Rezum mantém a função ejaculatória. A melhora dos sintomas é gradual, ocorrendo ao longo de algumas semanas a meses.
Aquablation
A terapia Aquablation combina a robótica com a imagem de ultrassom em tempo real para remover o tecido prostático de forma precisa e controlada. O cirurgião mapeia a área a ser tratada e um jato de água em alta velocidade, sem uso de calor, remove o tecido obstrutivo. Estudos como o WATER II mostraram taxas de preservação da ejaculação anterógrada superiores às de técnicas convencionais, mesmo em próstatas maiores. A técnica permite poupar as estruturas anatômicas responsáveis pela ejaculação.
04E os tratamentos convencionais com maior impacto na ejaculação?
Tratamentos estabelecidos há mais tempo continuam sendo opções extremamente eficazes para o alívio dos sintomas urinários, mas geralmente apresentam um impacto maior e mais previsível na função ejaculatória.
A Ressecção Transuretral da Próstata (RTU-P), conhecida como "raspagem da próstata", é considerada por muito tempo o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da HPB. Nela, o urologista remove o tecido prostático obstrutivo com um instrumento elétrico inserido pela uretra. A RTU-P proporciona um alívio sintomático excelente e duradouro. No entanto, a ejaculação retrógrada é um efeito colateral muito comum e esperado, ocorrendo na maioria dos pacientes. A função erétil geralmente é preservada, mas a mudança na ejaculação costuma ser permanente.
Outra técnica altamente eficaz, especialmente para próstatas grandes, é a Enucleação da Próstata com Laser de Holmium (HoLEP). O procedimento remove o "miolo" da próstata de forma completa, com baixo risco de o problema retornar. Assim como na RTU-P, a taxa de alívio dos sintomas é muito alta, mas a ocorrência de ejaculação retrógrada também é frequente, pois as estruturas anatômicas próximas ao colo vesical são alteradas.
A conversa franca com o urologista sobre as prioridades do paciente é fundamental antes de indicar um procedimento ablativo como a RTU-P ou o HoLEP.
05Comparativo: como escolher a opção para o seu caso?
A decisão sobre o tratamento da HPB não é única e deve ser personalizada. A tabela abaixo resume as principais opções e seu impacto esperado na ejaculação, mas a escolha final depende de uma análise completa do seu quadro.
| Opção de Tratamento | Potencial de Preservação da Ejaculação | Perfil Geral e Indicações | | :--- | :--- | :--- | | Medicamentos (Alfabloqueadores) | Variável (menor com tansulosina/silodosina) | Primeira linha para alívio rápido dos sintomas. | | Medicamentos (Inibidores da 5-alfa-redutase) | Geralmente preservada, mas pode reduzir volume | Indicado para próstatas maiores, com efeito a longo prazo. | | UroLift | Muito Alto | Ideal para próstatas menores a moderadas, sem lobo mediano obstrutivo. | | Rezum | Alto | Próstatas menores a moderadas; melhora dos sintomas é gradual. | | Aquablation | Alto (maior que RTU/HoLEP) | Boa opção para próstatas de diversos tamanhos, com remoção precisa de tecido. | | RTU de Próstata (RTU-P) | Baixo (ejaculação retrógrada é comum) | Padrão de alta eficácia para alívio sintomático em próstatas de até 80-100g. | | HoLEP (Enucleação a Laser) | Baixo (ejaculação retrógrada é comum) | Altamente eficaz para próstatas de qualquer tamanho, especialmente as muito grandes. |
Fatores como o tamanho e formato exato da próstata, a gravidade dos seus sintomas urinários, sua idade, seu estado de saúde geral e, crucialmente, o seu desejo em preservar a função ejaculatória são levados em conta para definir o melhor caminho.
06Alinhando expectativas: o que esperar da avaliação em Recife?
O primeiro passo para um tratamento bem-sucedido é uma avaliação urológica completa. Em nossa prática em Recife, a consulta inicial é focada em ouvir sua história, entender suas queixas e, principalmente, suas prioridades.
A investigação pode incluir questionários para quantificar a intensidade dos sintomas (como o IPSS), o exame físico (incluindo o toque retal, que nos dá informações valiosas sobre o tamanho e a consistência da próstata) e exames complementares. Conforme o caso, podemos solicitar exames de sangue (como o PSA), ultrassonografia da próstata e das vias urinárias, e um estudo do fluxo urinário (urofluxometria).
Com base nesses dados, podemos mapear seu quadro de forma precisa. A partir daí, apresentamos as opções de tratamento mais adequadas para você, explicando os benefícios, os riscos e o que esperar de cada uma em termos de melhora urinária e impacto na função sexual. O objetivo é tomar uma decisão conjunta, garantindo que o plano de tratamento esteja alinhado com seu bem-estar e qualidade de vida.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica presencial. Para diagnóstico e tratamento, agende uma avaliação com um urologista.
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